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O robô pode ler, mas não respira
Uso da IA caiu de 70% em 2025 para 61% em 2026.
Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Em texto anterior falei da diferença entre saber ler e saber narrar. Hoje continuo a conversa com um dado que chamou minha atenção.
Nos Estados Unidos, a pesquisa anual da Audio Publishers Association mostrou que a disposição dos ouvintes para experimentar audiolivros narrados por inteligência artificial caiu de 70% em 2025 para 61% em 2026. E isso com a oferta crescendo. Mais livros com voz artificial, menos gente interessada em ouvir.
Honestamente não acho que a máquina narre mal. Ela é tecnicamente correta e vai melhorar. Mas o ouvinte parece sentir falta de algo natural.
Sinto falta de três coisas quando escuto uma voz artificial. A primeira é a respiração. Quando eu respiro, o ouvinte respira comigo. A pausa tem corpo, tem tempo de verdade. A segunda é a intenção. A frase "ela voltou" pode ser alívio, ameaça ou tristeza. Quem decide é o narrador que leu o livro inteiro e sabe o que vem depois. A terceira é o erro. Não o erro de leitura, esse a gente corrige. Falo da voz que falha um pouco numa despedida, do riso que escapa. Pequenas imperfeições que mostram que havia alguém ali.
Para quem está começando na Escola de Rádio, fica o conselho: não tente competir com a máquina na perfeição.
Respire, saiba por que diz cada frase e não tenha medo de soar humano. Pelo visto, é isso que o público ainda procura.
Graças!