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O rádio ainda surpreende

Ele não precisa disputar espaço com nada.

Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Família e o rádio

Quando a gente fala em rádio, muita gente logo pergunta: "Como assim, rádio?". E eu entendo. É absolutamente normal comparar essa mídia tradicional com as novas formas de transmissão que temos hoje, dos podcasts às plataformas de streaming. Não se trata de defender o rádio de forma saudosista. Mas é inegável que ele tem suas vantagens, assim como as outras plataformas também têm as suas.

O que mais me chama a atenção é a expressão de estranheza no rosto das pessoas quando o assunto aparece. Principalmente entre os mais velhos, que ainda guardam a lembrança do radinho de pilha na cozinha, no balcão da padaria, no banco da praça. Parece que a palavra rádio abre uma gaveta antiga, e cada um encontra ali alguma coisa diferente. Tem quem sorria antes mesmo de responder, tem quem pare para contar uma história, tem quem fique alguns segundos em silêncio tentando lembrar a última vez que ligou um aparelho.

Cada reação dessas me mostra uma coisa simples: o rádio, apesar de antigo, ainda desperta uma mistura de surpresa e nostalgia. E talvez seja justamente aí que mora a sua força. Ele não precisa disputar espaço com nada. Ele continua presente, do seu jeito, na voz que chega sem pedir licença e faz companhia.

E você, quando foi a última vez que ouviu rádio?

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