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O que mudou em um palestrante. A roupa?

Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Ruy Jobim palestrando

Não, a roupa é o que menos mudou. A grande diferença está na relação com o público. Antes, o palestrante era uma autoridade quase intocável: ficava atrás do púlpito, lia um texto formal e falava por uma hora para uma plateia em silêncio. Hoje, cada pessoa tem um celular na mão, pode conferir um dado na hora, gravar um trecho e comentar nas redes antes mesmo de a palestra acabar. A autoridade agora precisa ser conquistada a cada minuto.

Por isso o jeito de falar mudou. As palestras ficaram mais curtas, contam mais histórias e aceitam um tom pessoal, até vulnerável, que seria impensável no passado. O microfone sem fio tirou o orador do púlpito e deu liberdade ao corpo. Os slides, que antes eram cheios de texto, passaram a ter imagens fortes e pouca escrita. E muitas falas são gravadas ou transmitidas, então o palestrante precisa pensar na plateia e na câmera ao mesmo tempo.

O que continua igual é o essencial: a voz bem usada, a pausa no momento certo, a clareza da ideia e a presença de quem fala. O palco mudou bastante, mas quem segura a atenção ainda é a pessoa.

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