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Contato por um fio

A ligação do ouvinte que mexeu comigo.

Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Microfone

É o locutor Ruy Jobim? Toca "Andrea Doria" do Legião que vou desistir da vida.

Em 1985 esse ouvinte me ligava quase todos os dias. Sempre com a mesma intenção. Desistir.

Falei que não ia tocar se esse fosse o o objetivo.

A angústia não está só ao lado de quem ouve, mas também do lado de cá.

Há dias em que o mundo pesa. O trânsito pesou. A conta pesou. O silêncio de casa pesou mais ainda. E mesmo assim, o estúdio (carreira) te chama. É nesses dias que a locução deixa de ser técnica e vira transformação.

Porque o microfone tem uma exigência antiga, quase sagrada: Deixar tudo do lado de fora.Não como negação. Não como fuga.

Mas, como escolha consciente de quem sabe que, naquele momento, existe alguém do outro lado esperando ser alcançado pela sua voz.

Os locutores mais profissionais que já encontrei não tinham vidas perfeitas, mas tinham personagens maiores que suas dores. Ídolos.

Personagem tem que estar no fôlego antes da primeira palavra. Nossa voz é um presente que entregamos todos os dias e presentes se entregam com cuidado, com intenção.

É preciso cuidar do que levamos ao microfone.

Porque o que sai dele, transforma a vida de alguém. Nossa voz tem o poder de mudar o dia de alguma pessoa. Use esse poder com consciência.

Sobre o ouvinte do início da conversa, não sei o que aconteceu. Espero que esteja bem


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