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Até o próximo voo, comandante.
Ontem fez a última decolagem.
Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Existe um tipo de gente que olha para o céu e não vê apenas nuvens. Vê rotas, altitudes, um corredor invisível por onde passam sonhos com asas. São apaixonados por aviões. Lito Sousa era assim.
Nunca dividimos uma cabine, mas dividimos a mesma mania de levantar o rosto quando um avião cruza o céu. Ele começou cedo, ainda menino, lá em Natal, numa escola da Força Aérea. Eu comecei no rádio, outro jeito de voar, onde a gente decola com a voz.
O que o Lito fez de mais bonito, para mim, foi traduzir aquele mundo de manuais, turbinas e procedimentos e transformou em conversa de bar. Explicou turbulência para quem tremia na poltrona. Mostrou que o barulho estranho no pouso tinha nome, função e razão de ser. Quanta gente embarcou mais tranquila porque tinha assistido a um vídeo dele? Isso é comunicação no seu estado mais puro: tirar o medo do caminho e deixar o encanto passar.
Ontem ele fez a última decolagem. Imagino que lá em cima não haja turbulência, só céu de brigadeiro e uma pista infinita. Bom voo, Lito. Obrigado por cada explicação. Céu está limpo e o vento a favor.