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Articulação

Mastigação: o exercício que mais recomendo aos meus alunos

Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Mulher falando

Ao longo de todos esses anos dando aula de locução, uma coisa que vejo se repetir em quase todo aluno iniciante é a pressa. A pessoa chega ao microfone e parece que quer se livrar do texto o mais rápido possível. As sílabas se juntam, os finais das palavras somem e quem está ouvindo precisa fazer um esforço enorme para entender. Por isso insisto tanto na mastigação. Mastigar o texto é dar a cada sílaba o espaço que ela merece, abrindo a boca de verdade e colocando lábios, língua e mandíbula para trabalhar. Separei aqui os exercícios que uso em sala. Faça todos os dias, principalmente antes de gravar.

1. Solte a mandíbula primeiro

Antes de abrir a boca para falar, massageie com a ponta dos dedos aquela região logo abaixo das orelhas, onde a mandíbula se encaixa. Faça movimentos circulares por mais ou menos um minuto. Por último, continue mastigando e solte um "mmm" contínuo, deixando a voz vibrar enquanto a boca trabalha. Parece bobagem, mas faz toda a diferença.

2. Leia só as vogais

Esse é um dos meus preferidos. Pegue um parágrafo e leia apenas as vogais de cada palavra, abrindo bem a boca em cada uma. "A cidade amanheceu com chuva forte" vira "A iae aaeeu o ua oe". Faça devagar e exagere. Depois leia o texto completo mantendo aquela mesma abertura. Você vai se surpreender com a clareza.

3. A velha caneta entre os dentes

Todo locutor já fez isso e eu continuo recomendando. Coloque uma caneta limpa, na horizontal, entre os dentes, sem morder com força, e leia um parágrafo inteiro tentando ser entendido. A língua e os lábios vão ter que se esforçar muito. Faça por dois ou três minutos, tire a caneta e leia o mesmo trecho normalmente. A boca fica leve e a articulação aparece. Só um cuidado: caneta de uso pessoal e bem higienizada.

4. Uma palma para cada sílaba

Leia um texto batendo uma palma a cada sílaba, num ritmo lento e constante. "O / pre / fei / to / a / nun / ci / ou / nó / vas / o / bras". A palma não deixa as sílabas se atropelarem. Na segunda leitura, tire as palmas e mantenha o mesmo cuidado, agora num ritmo mais próximo da fala.

5. Não engula os finais

Digo sempre em aula: a palavra só termina quando a última letra é dita. Leia devagar "Os meninos felizes correram pelas ruas estreitas" e preste atenção em cada S. Depois faça o mesmo com R e L: "Vamos amanhecer no hotel para correr e viajar". Nenhum final pode ficar para trás.

6. Frases difíceis em câmera lenta

Leia as frases abaixo primeiro bem devagar, sílaba por sílaba. Só aumente a velocidade quando conseguir dizer tudo sem tropeçar. Aqui o objetivo não é ser rápido, é ser limpo.

"O rato roeu a roupa do rei de Roma."

"Três pratos de trigo para três tigres tristes."

"O prático prefeito prometeu pronta providência."

"Brava briga brotou entre os bravos brigadeiros."

"Clara clareou a clareira com a clara claridade."

7. Marque as pausas no papel

Pegue uma notícia curta e coloque uma barra em cada ponto onde você vai respirar ou dar uma pequena pausa de sentido. Depois leia respeitando cada barra, sem exceção. A pausa é o freio da pressa. E repare: o texto ganha peso e credibilidade quando você não despeja tudo de uma vez.

8. Três velocidades

Leia o mesmo parágrafo três vezes. A primeira bem lenta, quase exagerada. A segunda em velocidade média. A terceira como você leria numa gravação de verdade. A articulação tem que ser a mesma nas três. Se na terceira as palavras começarem a embolar, volte para a segunda até ganhar segurança.

9. Grave e escute

Grave um parágrafo antes de começar os exercícios e grave de novo no final. Coloque o fone e ouça as duas versões com atenção. Anote o que melhorou e o que ainda precisa de trabalho. Quem não se escuta não evolui, e isso eu repito em toda turma.

Dez a quinze minutos por dia são suficientes. Com o tempo, a mastigação deixa de ser esforço e passa a ser o seu jeito natural de falar ao microfone.

Procure uma fono.


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