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A confusão da "caixinha".
O que uma "gorjeta" pode fazer
Ruy JobimDiretor da Escola de Rádio

Estamos todos com os nervos à flor da pele e ninguém precisa de esforço para provar isso. Outro dia, enquanto eu esperava pela melhor esfiha do Rio de Janeiro, no Largo do Machado onde fica a Escola de Rádio, presenciei uma cena que diz sobre o tempo em que vivemos.
Uma senhora ao lado pediu dez esfihas e ... na boa, o atendente gritou para o colega: "uma caixinha!"
Foi o estopim.
A senhora se transformou. Ela entendeu que o rapaz estava cobrando uma "caixinha" (gorjeta).
Ela começou a falar mais alto, dizendo que não era obrigada a pagar mais nada, que os preços já estavam absurdos.
Como estou atento à comunicação, meu instinto foi tentar traduzir o óbvio para acalmar os ânimos:
"Calma, senhora, ele só pediu a embalagem de papelão..."
A resposta?
Um olhar fulminante e direto: "Não se meta, que a conversa não é com você".
Me calei, recuei e entendi tudo. O problema ali não era o nome parecido, a agilidade do atendente e muito menos a minha intervenção.
O problema era o que ela já trazia de casa. Ás vezes, as pessoas não estão brigando com você ou com o mundo; elas estão apenas cansadas de si mesmas.
Você costuma notar esses "ruídos" no dia a dia com frequência?